19.4.10

saída

saí!...

16.4.10

de saída...

perdi-me nos passos.
tens que sair!
o quê???
tens que sair!
vai-te embora.
sai!.
por ali.
por onde????
como???
vai-te embora,
sim,por ali.
um dedo enorme a confundir-se com o caminho,
a confundir-me o caminho...

13.4.10

passo a passo... conto-os,
um
dois
três
quatro
cinco
seis
sete
passo a passo-o... escuto-os
tok
tok
tok
tok
tok
tok
tok
nao sei como o fazem
onde econtram caminho
mas sei que se nascem
e é aqui no meu ninho...

12.4.10

buraco

fall in a hole


here i can listen to a profound sound!
but still can´t find that great escape...

11.4.10

de mãos dadas

hoje levaste-me a passear!

pegaste na minha mão pequena, muito pequenina...

o teu passo largo, solto, longo
o meu pequenino, esvoaçando ao teu lado
um irrequieto colibri batendo asas no doce sabor da sua flor

foi assim este nosso passeio de mão dada hoje minha doce dor!!!!

10.4.10

colo

... hoje aninho-me no colo da tua ausência...

9.4.10

mudar de roupa

acontece a tua presença para onde quer que me vire.
urge mudar de roupa, retirar o teu cheiro...

a cama sairá do centro esquerdo do quarto e passará a estar no centro direito. a sua roupa deixará de ter as mesmas cores, será azul e púrpura agora.

a cómoda deixará de estar encostada à parede sul do quarto e passará a estar encostada à parede norte.

o grande espelho dourado deixará de nos mostrar ao centro, passará a mostrar-me o vazio à esquerda.
mudarei ainda a roupa da sala


troco a mesa e as cadeiras por nova mesa e novas cadeiras.
troco a secretária por uma nova secretária.
visto as paredes de umas outras imagens.
coloco a música que ouvimos a sair pela porta da varanda.
mudo a roupa do corredor que atravessaste.
mudo a roupa da casa de banho onde te lavaste.
mudo a roupa da cozinha onde te ofereceste como ajudante.


saio porta fora e fecho-a atrás de mim.
quando regressar a esta casa nova, já não lá estarás!!!

8.4.10

contas feitas

... está bem!
façamos contas.
passo a passo o minuto encontra a hora e dizem que demora sempre o mesmo. mas o tempo não o sabe.

são doze anos, digo-lhe!

o tempo não quer saber desta matemática
sim, simpática
até lhe dá este tipo de informações absolutamente inúteis
diria até fúteis,
não fosse ele tão benevolente
não fosse ele tão omnipresente

faz doze anos que não me apaixonava,digo-lhe!

e puerilmente lhe apresento tais contas feitas
o tempo
esse sorri-me manso
não é moço de fazer desfeitas
a quem assim toma balanço
e pulula
como mariposa
brilhante e maravilhosa...

a culpa pode ser da primavera
se há doze anos atrás não tivesse acontecido num inverno frio!

7.4.10

outra noite

solto o fumo e apago o último cigarro!

esta noite ao encostares o teu queixo na côncavidade da minha clavícula, marcaste-me a ferros. foi uma viagem curta até ao ombro, bem na descida para o braço.

pedi-te: volta-me de costas, morde-me!

esta noite ao passeares as tuas mãos pelas curvas do meu tronco, marcaste-me a ferros. foi uma viagem longa, até ao cruzamento das minhas coxas.

pedi-te: abre-me as pernas, morde-me!

agora que o último cigarro se apagou e todo o fumo se soltou, vou esquecer completamente esta coisa chamada lágrima que de mim deslizou...

6.4.10

encontro

encontrei-te no ponto exacto onde sempre a perfeição acontece: entre o aqui e o impossível!
... este ponto dúbio de miragem que no abismo engole o im abandonando-nos no possível...
e assim se dá este primeiro passo
e se cai no abismo,
aqui,
onde sempre está a perfeição

a uns, acontece-lhes estranhar a queda, mas ávidos do possível se tomam de alegria pela escalada que os espera.
a uns outros, acontece-lhes desistir perante a mesma e se quedam até que  vislumbrem uma qualquer saída.
existem depois uns outros.

uns que vislumbram para lá do dúbio, uns que engolem a ilusão no amargo da lembrança e sorrindo se sentam à beira do aqui acenando ao impossível como a um velho amigo.

depois,

depois de o diálogo se esgotar,

estes se erguem e viram costas!

5.4.10

sem prosa

não me deixa o pensamento deixar de pensar em ti por um segundo apenas...

assim retirada do desassossego confortável do  ninho em que me havia deitado!
conta-me ele sobre o teu olhar branco
fala-me sobre o teu sorriso doce
sussurra-me a ternura dos teus dedos
grita-me a ausência do teu corpo

4.4.10

pasmo

pasmo sempre, e ainda, como se a desconhecesse, como se a julgasse impossível, inverosímel!

pasmo e tremo num movimento visceral que me humaniza...
pasmo sem me entender neste espanto, nesta teimosia!
é então que tenho que dar voz ao Verbo:
não existe a sintonia!


só depois, muito a custo e lentamente, abandono este  pasmo....

3.4.10

sentados

... e assim nos sentamos nesta mesa do acaso!


olho-o nos olhos que me sorriem..
desejo o conto inatingível!

nesta mesa do acaso onde frente a frente se olham o longe e o distante.
se sorriem assim perdidos... como só no acaso se podem encontrar seres que assim buscam amar!